Técnicos da Cativar apresentam dados sobre monitoramento da sigatoka negra

 

            Técnicos da Cooperativa de Assessoria Técnica Integral do Vale do Ribeira (Cativar) apresentaram na última sexta-feira, 26, os dados obtidos nos dois primeiros meses do trabalho de monitoramento da Sigatoka Negra, implantado no município de Registro, através do Programa Integrado contra a Sigatoka Negra – Plano Emergencial de Controle. Promovido pela Prefeitura, através de convênio firmado com a Cativar, o Programa disponibiliza três técnicos em agropecuária e dois engenheiros agrônomos para os trabalhos de campo. Atualmente, existem três pontos de monitoramento localizados nos bairros Serrote, Bulha e Baissununga. Um dos pontos fica na propriedade de Ademar Ciro Samitsu, no Serrote, onde foi feita a apresentação dos dados levantados até o momento – nos bairros Bulha e Baissununga as apresentações já foram realizadas. A reunião no Serrote contou com a participação de cerca de oito bananicultores que possuem propriedades na vizinhança.

            Os técnicos explicaram aos produtores que são feitos dois tipos de monitoramento: o pré-aviso, para controle da Sigatoka Amarela, o índice PPI (método adaptado do Equador e utilizado para detectar o grau de infecção da Sigatoka Negra), além da contagem de folhas na aparição do cacho e no momento da colheita. O monitoramento permite fazer a comparação do número de folhas existente neste período, avaliar o número de folhas perdidas em função do ataque da Sigatoka Negra, o grau de infestação nas folhas e aparecimento de manchas, sempre levando em conta o dados de temperatura e umidade. “Quanto mais folhas perdidas, é sinal que o controle não está sendo eficiente”, explica o engenheiro agrônomo da Cativar, Alexandre Vianna, que acompanha os técnicos agrícolas no trabalho de leitura das folhas. Esse monitoramento é feito todas as sextas-feiras de manhã, para avaliação do número de manchas, tanto da sigatoka amarela quanto da negra. “Para definir o momento certo da pulverização, é preciso avaliar o grau de gravidade das duas doenças no bananal”.

             Este trabalho promovido pela Prefeitura de Registro é pioneiro na região onde está sendo avaliado o comportamento da doença em três níveis. “No momento, estamos no período menos crítico em termos de clima. Os resultados do trabalho vão ser mais concretos no período de janeiro a maio, tido como o mais problemático em termos de controle”, afirma o engenheiro agrônomo. “Depois de um ano, passadas todas as fases, será possível avaliar com mais critério o comportamento da doença, bem como os métodos de controle mais eficazes”.

            Economia para o produtor - Desde que foi iniciado o monitoramento, o bananicultor Ademar Ciro Samitsu já economizou uma pulverização sobre os 30 mil pés de banana de sua propriedade, representando uma economia de cerca de R$ 7 mil. Ele explica que, antes do monitoramento, a pulverização era feita na base do “vamos olhar o bananal e ver se não está queimando”. Agora, a avaliação sobre o momento adequado ou não de pulverizar é feita com base nos dados levantados pelos técnicos. Ciro Samitsu conta que, antes da Sigatoka Negra entrar na região, fazia 5 pulverizações por ano. Com a chegada da doença, chegou a fazer 9 pulverizações/ano. Agora, com o trabalho de monitoramento, espera diminuir o ritmo das pulverizações na atual safra. “Isto já está acontecendo, porque estamos há cerca de 70 dias sem pulverizar”, acrescenta Carlos Alberto Samitsu, filho de Ciro, que acompanha de perto o trabalho dos técnicos da Cativar na propriedade.

            Atuação dos vizinhos - O trabalho não consiste apenas no monitoramento. É também de sensibilização e convencimento dos bananicultores vizinhos para a importância de uma atuação conjunta na hora da pulverização do bananal. “Seria interessante que as propriedades do entorno pulverizassem, pelo menos, na mesma semana, com os mesmos produtos, para o controle ser mais amplo e eficaz”, destaca Alexandre Vianna. A coordenadora do Programa e engenheira agrônoma da Cativar, Cláudia Noemi Gervásio Bilche, acrescenta que o monitoramento é apenas uma ferramenta colocada à disposição dos produtores e que precisa estar acompanhada de outras medidas, como nutrição, controle de pragas e os tratos culturais recomendados, como por exemplo, a desfolha, cirurgia, desbaste, controle de ervas daninhas e a drenagem do bananal. Já foram marcados dias-de-campo com os produtores para aprofundamento desses temas. Além do trabalho de monitoramento da Sigatoka Negra, o Programa tem como objetivo prestar assistência técnica e assessoria aos produtores de olerículas e outras culturas do município, visando a diminuição dos custos de produção, a aplicação de tecnologias mais apropriadas e o planejamento produtivo para atender satisfatoriamente as demandas do mercado, adotando como estratégia o fortalecimento das associações e da Cooperativa de Produtores de Registro (Cooparr).