Jovens visitam sistemas agroflorestais em Barra do Turvo

 Uma verdadeira aula sobre a convivência harmoniosa entre o homem e a natureza. Assim foi definida a viagem que cerca de 20 jovens, filhos de agricultores, técnicos extensionistas e agricultores dos municípios de Iguape, Juquiá e Registro fizeram no último dia 30 de julho, ao município de Barra do Turvo, onde conheceram o trabalho e a experiência das famílias da Cooperafloresta - Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo - que implantaram o sistema agroflorestal em suas propriedades, há cerca de 12 anos.

A viagem foi promovida pelo projeto “Fortalecimento da produção familiar nas cadeias produtivas e da organização dos agricultores no Vale do Ribeira”, executado pela CATIVAR e financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O objetivo da visita foi o de proporcionar aos jovens a vivência sobre a dinâmica agroflorestal, que alia a produção de alimentos e a conservação dos recursos naturais. Foram visitadas as propriedades de Sidney Maciel dos Santos, Marinelma Rodrigues de Paula e Sezefredo Gonçalves da Cruz, um dos pioneiros do sistema agroflorestal na região. “A natureza, além de ser nossa mãe porque nos dá a vida, é também nossa professora. Precisamos apenas aprender com o trabalho que ela faz, noite e dia, sem parar”, comentou Sezefredo, que tem 66 anos de idade e desenvolve a agrofloresta há mais de uma década em seu sítio, localizado no bairro Salto Grande.

Para a agricultora Marinelma, que atua como agente multiplicadora na Cooperafloresta, a agrofloresta não apenas une o homem e a natureza, mas toda a família agricultora. “Além de cuidar bem da terra, plantar alimentos e árvores, esse sistema abriu a possibilidade da gente poder continuar morando e vivendo bem com nossas famílias aqui mesmo na região”. Há oito anos no sistema agroflorestal, o agricultor Sidney Maciel dos Santos, 30, tem na cabeça e na ponta do lápis o desenho de como será sua propriedade no futuro, que hoje já conta 180 mil plantas. “Vamos fazendo o manejo das espécies de forma que uma parte das plantas fica para a produção de alimentos e outra como ´adubadeira` da terra”. Ele valoriza a organização da Cooperafloresta - hoje apoiada por diversos projetos - como o principal elemento que garante a sustentabilidade do sistema. “A segunda perna do agricultor é a organização da associação, é ter gente atuando de forma conjunta, cada um com seu dom: uns produzindo, outros orientando e multiplicando, outros comercializando a produção”.

            A Cativar deverá promover ainda mais duas viagens com jovens filhos de agricultores da região que integram as cadeias produtivas beneficiadas com o projeto: maracujá, pecuária leiteira, orgânicos e plantas ornamentais. Entre outras ações, o projeto está realizando a assistência técnica a grupos de produtores e o acompanhamento das respectivas associações de agricultores das cadeias produtivas atendidas.