Produtores e técnicos do Vale visitam sistema de horta circular agroecológica

 Uma tecnologia de produção agroecológica que reproduz o sistema solar: no centro da horta, a energia que alimenta o sistema; ao redor, a formação de nove anéis, ou canteiros, reproduzindo os planetas. Este é o sistema de produção conhecido como “Mandala” (uma palavra de origem indiana que representa um desenho composto por figuras geométricas concêntricas) ou “PAIS” - Produção Agroecológica Integrada e Sustentável, uma tecnologia social que tem sido reaplicada em diversas regiões do País. Foi esta tecnologia social que um grupo de 33 produtores e técnicos dos municípios de Barra do Turvo, Cajati, Jacupiranga, Juquiá, Iguape, Cananéia e Registro foram conhecer no último dia 09 de outubro, em missão técnica promovida pela CATIVAR (Projeto ATER/MDA), em parceria com o Sebrae-SP.

A unidade produtiva está implantada no Sítio dos Eucaliptos, certificado pelo IBD e localizado entre os municípios de Taquaritinga e Monte Alto (SP). Os visitantes foram recebidos pelos proprietários Florindo e Janete Fonseca e pelo produtor de frutas orgânicas, Ulysses Murakami, um incentivador da agricultura orgânica na região e presidente da Cooperativa de Agropecuaristas Solidários de Itápolis (COAGROSOL), entidade que reúne 126 produtores de frutas e hortaliças e que exporta polpa e suco de frutas orgânicas para a Europa, através do Mercado Justo.

Num pequeno espaço e com poucos recursos, a horta circular alia a criação de animais (como peixes ou galinhas) com a produção vegetal e utiliza insumos da propriedade em todo o processo produtivo. O sistema de produção integrado é  montado em torno de anéis, cada um destinado a uma determinada cultura, que complementa a que vem a seguir. O centro do sistema é utilizado para a criação de pequenos animais, que podem ser galinhas caipiras, patos ou peixes. O esterco produzido pelos animais é utilizado para adubar a horta. A forma circular também assegura o aproveitamento total da área dos canteiros pela inexistência de quinas e bordas, como acontece nos sistemas quadrados, uniformizando a qualidade dos produtos.

“O círculo é um elemento harmônico, que não produz atrito e deixa tudo muito próximo do produtor, facilitando o seu trabalho e o aproveitamento dos resíduos das atividades”, explicou Ulysses Murakami. A área da Mandala / PAIS visitada – que se encontrava em período de pousio - tem 2.500 metros quadrados, com 09 canteiros totalizando cerca de 760 metros, onde são cultivados produtos como banana, milho e hortaliças em geral e, no centro, um tanque com a criação de peixes. Segundo o proprietário, a implantação da Mandala foi feita há 03 anos e custou cerca de R$ 3 mil reais. Hoje, segundo ele, o custo de uma unidade completa, incluindo o sistema de irrigação, gira em torno de R$ 5 mil.

Mas, além da horta circular, os participantes conheceram no sítio outras tecnologias da permacultura, “sistema que busca a integração harmoniosa da paisagem com as pessoas, através de práticas que atendam as necessidades materiais e não materiais de um modo sustentável”. Entre os modelos ecológicos, foram visitados o sistema de fabricação do adobe - tijolo feito de argila sem queimar; a roda d´água que abastece a horta, com capacidade para gerar 6 mil litros de água/dia, sem utilização de energia elétrica; um sistema de aquecimento solar com placas de PVC; o início de implantação de fossas sépticas; e uma unidade de banheiro seco, alternativa que não polui o meio ambiente e produz adubo orgânico que pode ser aproveitado na atividade agrícola; além de unidades móveis de galinheiros que também podem ser colocados no espaço da horta para adubação.

            Os participantes almoçaram em outra propriedade orgânica vizinha, também certificada pelo IBD. No Sítio São José, foram recebidos pelo proprietário, o ecólogo Luiz Ernesto Buchi Cestari, e por um grupo de produtores orgânicos da região que desenvolve o programa de comercialização de cestas de legumes, frutas e verduras orgânicas diretamente nas residências de consumidores cadastrados. A refeição teve como ingredientes uma variedade de alimentos orgânicos produzidos no local, onde estão instaladas 20 estufas para produção de hortaliças de folhas, raízes e flores. Cerca de 20 itens saem diariamente do Sítio para a comercialização em loja própria instalada no centro da cidade de Monte Alto, nas feiras semanais e também para abastecimento de parte da merenda escolar, que atende cerca de 9 mil alunos/dia, em três refeições diárias.

Coordenadores da Central de Alimentos da Prefeitura de Monte Alto, setor responsável pela merenda escolar do município, também participaram do almoço e relataram aos visitantes do Vale do Ribeira sobre os benefícios à saúde das crianças - comprovados através de estudos feitos pelos próprios nutricionistas da Central – provocados pela introdução de alimentos orgânicos na merenda escolar. Após o almoço, o grupo foi conhecer a produção de hortaliças nas estufas e o sistema de fabricação de biofertilizante natural, utilizado para fertiirrigação das hortas.

 

EXPO-Brasil vai mostrar sistema PAIS – A Tecnologia Social “Produção Agroecológica Integrada e Sustentável” (PAIS) vai fazer parte de uma mostra de diversas tecnologias sociais durante a VII Expo Brasil Desenvolvimento Local, evento que promove o intercâmbio internacional de experiências sobre desenvolvimento local como estratégia de inclusão e transformação social. Cerca de 5 mil pessoas de todo o Brasil e do exterior deverão participar da sétima edição do encontro, que este ano será realizado entre os dias 12 e 14 de novembro, em Cuiabá (MT). O Sistema Pais está sendo reaplicado em diversas regiões do país, por meio de uma parceria entre Sebrae, Fundação Banco do Brasil e Ministério da Integração Nacional.