Palestras destacam os benefícios do Banco Comunitário de Sementes

 O engenheiro agrônomo Marcelo Laurino, representante do Ministério da Agricultura e da Comissão da Produção Orgânica no Estado de São Paulo, esteve no Vale do Ribeira nos dias 14, 15 e 16 de outubro para a realização de palestras sobre o Programa Banco Comunitário de Sementes de Adubo Verde, desenvolvido pelo MAPA com apoio das Comissões Estaduais da Produção Orgânica.

O Banco Comunitário de Sementes é uma forma de organização de agricultores familiares, assentados da reforma agrária e indígenas para armazenagem de sementes, produzidas em sua comunidade para uso próprio. Entre os critérios do Programa, destacam-se: as sementes são distribuídas somente a agricultores familiares, inseridos em sistemas orgânicos de produção, em processo de transição agroecológica, ou com potencial para transição agroecológica; e a distribuição das sementes está condicionada ao treinamento dos agricultores sobre uso, manejo e produção de sementes de adubos verdes.

Por isso foram realizadas as oficinas com produtores interessados nos municípios de Registro, Cajati e Jacupiranga, numa parceria entre o MAPA e a Associação dos Produtores Orgânicos do Vale do Ribeira (AOVALE), CATIVAR (Projeto ATER/MDA), Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cajati, Instituto Florestal/Fundação Florestal e Casa da Agricultura de Jacupiranga. Em Cajati, no dia 15, foram feitas duas palestras: uma com agricultores do Bairro Braço Feio e outra com os participantes da Feira da Agricultura Familiar de Cajati.

Cada agricultor beneficiado vai receber uma quantidade máxima de 10 kg de sementes de três espécies de adubação verde - crotalária juncea, mucuna preta e feijão guandu - cultivadas organicamente pelo Instituto Agronômico de Campinas, para plantio em sua propriedade, mediante o compromisso formal de devolução, após o primeiro plantio, de 15 quilos de sementes, que serão destinadas a outros agricultores familiares da região.

A partir de 2010, a legislação de orgânicos prevê a obrigatoriedade de utilização de sementes orgânicas para a produção orgânica certificada. “Portanto, quem tiver um banco de sementes orgânicas já estará preparado para a nova realidade do mercado”, comentou Marcelo Laurino.

No ato da distribuição das sementes o agricultor receberá uma cópia do atestado de origem genética das sementes e da nota fiscal emitida para acompanhamento das mesmas. Após o plantio das sementes doadas, a entidade responsável ou grupo de agricultores, realizará a colheita e o armazenamento de, no mínimo, a mesma quantidade de sementes de cada uma das espécies recebidas, visando à formação e manutenção dos Bancos Comunitários de Sementes.

O Programa oferece vantagens como a redução do custo de compra das sementes, do transporte, da sacaria, além de o produtor não ter de comprar uma quantidade maior do que a necessária. “Além disso, o conhecimento sobre o plantio é obtido na própria comunidade, com a troca de experiências, e aumentam as chances de uma boa colheita e maior produtividade”, comentou o representante do MAPA.

Segundo Marcelo Laurino, os Bancos Comunitários de Sementes e a Agricultura Orgânica proporcionam o aumento da diversidade, a auto-suficiência da propriedade na compra de sementes e de adubo, além de maximizar os recursos naturais e socioeconômicos disponíveis. “Os adubos verdes são plantas que têm a capacidade de aumentar a fertilidade do solo. Com o aumento da matéria orgânica no solo, há aumento dos nutrientes, especialmente o nitrogênio. Algumas leguminosas são capazes de utilizar até 78% do nitrogênio do ar, através de bactérias do solo, e transformá-lo em adubo disponível para as plantas”.

 

Fotos:

Oficina em Registro com produtores orgânicos da AOVALE

Oficina em Cajati com produtores da Feira da Agricultura Familiar