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Oficina debate a
Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural e o papel dos
Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural
Margarete Micheletti
Integrantes da Cooperativa de
Assessoria Técnica Integral do Vale do Ribeira (CATIVAR) e técnicos
extensionistas da região debateram as diretrizes e a forma de implementação da
nova Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (PNATER), o papel
dos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS) e a
situação do crédito rural na região durante a Oficina de Nivelamento Conceitual
realizada nos dias 12 e 13 de março, em Registro, em cumprimento a uma das metas
do Projeto “Fortalecimento da Produção Familiar nas Cadeias Produtivas e da
Organização dos Agricultores no Vale do Ribeira”, que está sendo executado pela
CATIVAR com recursos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
A engenheira agrônoma da CATIVAR,
Cláudia Noemi Gervásio Bilche, fez a apresentação do Projeto e coordenou a
dinâmica da linha do tempo, construída pelos participantes da oficina, onde
foram enumerados os principais fatos e aspectos que marcaram o processo de
Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) no Brasil e no Vale do Ribeira,
começando pela década de 50 até os dias atuais. Depois do debate, com apoio do
coordenador do Programa de Formação em ATER do ITESP, engenheiro agrônomo
Edevando Moraes Ruas, foram apresentadas as diretrizes e perspectivas de
consolidação da nova PNATER. “Um dos pilares
desta política é o respeito à pluralidade e às diversidades, com a valorização
de todos os saberes. E a busca da inclusão social da população rural brasileira
mais pobre é o elemento central de todas as ações orientadas pela Política
Nacional de ATER”, destacou.
O objetivo
principal da nova política - fruto de uma construção coletiva iniciada em 2003,
com a participação de agricultores de todo o País em seminários nacionais e
estaduais - é estimular e apoiar iniciativas de desenvolvimento rural
sustentável, que envolvam atividades agrícolas e não agrícolas, pesqueiras, de
extrativismo e outras, tendo como foco o fortalecimento da agricultura familiar,
visando a melhoria da qualidade de vida e adotando os princípios da Agroecologia
como eixo orientador das ações.
Um dos princípios da PNATER é
assegurar aos agricultores familiares o acesso a serviço de assistência técnica
pública, gratuita, de qualidade e em quantidade suficiente; além de adotar uma
abordagem multidisciplinar e interdisciplinar com enfoques participativos e
contribuir para a promoção do desenvolvimento rural com o uso sustentável dos
recursos naturais. “O agricultor precisa conhecer os caminhos e definir qual
caminho quer trilhar. E o técnico extensionista deve ser o facilitador desse
processo”, comentou o técnico do ITESP.
A secretária executiva do PRONAF –
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – no Estado de São
Paulo, Marly Teresinha Pereira, fez uma explanação sobre a Extensão Rural e o
Crédito para a Agricultura Familiar no Brasil, e, em seguida, enfatizou a
importância dos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável
(CMDRS) como instrumentos de empoderamento e fóruns permanentes de debates dos
interesses dos agricultores familiares.
Segundo Marly, que também é
professora-doutora do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da
ESALQ-USP, todos os conselhos deverão se adequar às novas diretrizes: ser
formado por representações e/ou instituições de agricultores familiares, e por
instituições que atuam no município; respeitar a paridade entre órgãos de
governo e sociedade civil; pelo menos 50% de seus membros devem ser agricultores
familiares; 30% de mulheres, além de contemplar indígenas, assentados,
quilombolas, pescadores.
“Toda política da agricultura
familiar do Estado tem de passar pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento da
Agricultura Familiar (CEDAF), em fase de assinatura pelo governador, e da nossa
parte, não queremos trabalhar com conselhos municipais chapas-brancas”,
comentou. Ela disse que os CMDRS têm um importante papel a desempenhar nos
municípios: analisar, aprovar e promover articulações para implementação do
plano municipal de desenvolvimento rural sustentável; sugerir mudanças nas
políticas municipais, estaduais e federais, e auxiliar no acompanhamento e
fiscalização da boa aplicação dos recursos públicos.
Ela também ressaltou o papel do
crédito como instrumento mobilizador do desenvolvimento rural. “O crédito em si
não gera desenvolvimento. O que faz a diferença é como os recursos são
utilizados”. Para a secretária executiva do PRONAF no Estado, crédito não deve
ser encarado como benefício social ou política compensatória. “O crédito deve
gerar renda, ou poupar renda, e se pagar com essa renda”. Também debateram sobre
o tema o gerente do Banco do Brasil de Jacupiranga, Luiz Alberto Duarte Cezar,
representando na oficina a superintendência estadual, e Roberto Rodrigues, do
Banco do Brasil de Registro. Eles apresentaram a situação do PRONAF no Vale do
Ribeira.
Fotos:
A oficina é a primeira de uma série de debates que o projeto da
CATIVAR vai promover
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