Encontro discute o mercado, o controle de pragas e doenças e os desafios da comercialização da cultura do maracujá no Vale do Ribeira 

A tendência do mercado de maracujá no Brasil foi o primeiro tema discutido durante o Encontro da Família Produtora de Maracujá do Vale do Ribeira, realizado no dia 13 de novembro, na APTA Regional, em Pariquera-Açu. O palestrante José Sidney Gonçalves, doutor em Ciências Econômicas e pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), comentou que o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de maracujá, com uma produção de 615 mil toneladas em 2006, em área de 44 mil hectares. O Estado de São Paulo perdeu para o Nordeste a participação expressiva que tinha no  mercado nacional, saindo das 79,5 mil toneladas que produzia em 1996 para 23,5 toneladas em 2006. Já o Vale do Ribeira, que em 1995 tinha uma produção de 31 mil toneladas, em 2006 não produziu mais do que 5 mil toneladas.

Vários fatores podem explicar essa queda de produção. Para o pesquisador do IEA, o Vale do Ribeira perderia a hegemonia da produção de maracujá de qualquer forma, com ou sem a virose que chegou à região por volta de 2003 – a virose do endurecimento dos frutos do maracujá. “A virose apenas acelerou o processo desencadeado pela dinâmica da agroindústria de suco cítrico, que provocou a migração da produção da fruta para regiões mais próximas às indústrias”, argumentou.

Para conviver com essa e outras viroses que afetam a cultura do maracujá, a palestrante Addolorata Colariccio, doutora-pesquisadora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Sanidade Vegetal do Instituto Biológico (IB), apresentou várias medidas que podem ser adotadas pelos produtores. Entre elas, a utilização de mudas e sementes de maracujá de boa qualidade, o emprego de variedades de maracujá adaptadas às condições climáticas da região, o monitoramento preventivo e a observação constante do produtor sobre o que acontece no pomar. “São medidas que ajudam o produtor a conviver com as principais viroses que ocorrem na cultura”, alertou a pesquisadora, lembrando que além do Vírus do Endurecimento dos Frutos do Maracujá (VEFM), outra virose bastante comum ataca a cultura: o Vírus do Mosaico do Pepino (VMP). Para o engenheiro agrônomo e extensionista da CATI/EDR-Lins, Ryosuke Kavati, um dos fatores que o produtor pode controlar tanto para reduzir a incidência de pragas e doenças na produção como para aumentar a produtividade na cultura do maracujá é a adubação correta. “No Vale do Ribeira, o fator limitante de produtividade dos pomares da região é a deficiência de zinco. É preciso cuidar disso”, comentou.

O encontro também abordou o processo de industrialização do maracujá. O doutor Rogério Perujo Tocchini, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Hortifrutícolas do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), falou sobre as principais possibilidades oferecidas pela fruta: a extração do suco e/ou polpa. Segundo ele, eventualmente a casca é aproveitada pelas indústrias de suco de laranja que dispõem de equipamentos para produção de ração animal. As cascas também oferecem boa possibilidade de aproveitamento para obtenção de pectina, e as sementes, para obtenção de óleo.

A última palestra deu ênfase à necessidade de organização dos produtores. O engenheiro agrônomo José Evandro Pelozo, técnico que atua na Associação dos Fruticultores da Região de Vera Cruz, sediada em Marília (SP), relatou a experiência  daquela região no processo de organização dos fruticultores, da produção e, principalmente, da comercialização da fruta. “São necessárias ações concretas para retomada da produção de maracujá no Estado, através de projetos de pesquisa, adoção de tecnologias, estabelecimento de parcerias entre o setor público e privado e execução de programas que envolvam toda a cadeia produtiva do maracujá, promovendo maior integração entre os setores”, destacou Pelozo.

Após as palestras, foi realizada uma mesa redonda para debate dos principais desafios da cultura do maracujá no Vale do Ribeira, com a participação do prefeito de Jacupiranga, João Batista de Andrade; da técnica da Cativar, Cláudia Bilche, e da Casa da Agricultura de Jacupiranga, Maria do Socorro Fernandes, além dos produtores Ozélio Antunes (Cajati), Tarcísio Norberto dos Passos (Iguape) e Custódio da Silva (Eldorado). “O encontro nos trouxe bastante conhecimento. Agora precisamos avançar para a prática”, disse Ozélio Antunes. “Um ano de trabalho no cultivo do maracujá pode ser perdido no momento do transporte e da comercialização. Por isso, a organização em associação é fundamental”, comentou Tarcísio Norberto dos Passos.

Família participa do evento – Mais de 80 produtores e produtoras dos municípios de Cajati, Jacupiranga, Eldorado, Iguape e Registro participaram do Encontro, que reuniu também cerca de 20 filhos dos produtores no local. Técnicos da CATIVAR organizaram atividades recreativas e educativas com as crianças durante o evento. Enquanto os pais prestigiavam as palestras, as crianças eram atendidas por monitores estagiários da SCELISUL, em local reservado para brincadeiras e atividades infantis. “Este foi um grande diferencial do encontro: a possibilidade da presença das crianças, facilitando a participação das mães, responsáveis pelo cultivo de maracujá na maioria das propriedades familiares”, destacou a engenheira agrônoma da CATIVAR, Bernadete Grein.

O evento envolveu diversas parcerias, como o Sebrae-SP, através do Programa SAI, o SENAR,  Sindicato Rural de Registro, CATIVAR, Ministério do Desenvolvimento Agrário/PRONAF, APTA – Pólo Regional do Vale do Ribeira, Instituto Biológico, e Associação dos Moradores do Bairro Capitão Brás e Bairros Vizinhos de Cajati. O Encontro faz parte de uma série de ações discutidas e planejadas ao longo do ano entre os técnicos da Cativar e diversos grupos de produtores de maracujá da região.

 

 

 

Mais de 80 produtores e produtoras participaram do Encontro

Filhos dos produtores receberam atenção especial de monitores durante o evento