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Ministro da Pesca recebe
piscicultores do Vale durante Feira Internacional
No dia 10 de maio,
um grupo de piscicultores e técnicos do Vale do Ribeira participou
de uma audiência com o ministro da Pesca e da Aqüicultura, José
Fritsch, durante a Feira Internacional de Pescados, Frutos do Mar e
Tecnologia para a Indústria da Aqüicultura e Pesca (SEA-FOOD),
realizada no período de 10 a 12 de maio, em São Paulo. A missão foi
organizada pelos técnicos do Programa SAI (parceria Sebrae-SP/CATI/Cativar),
com apoio do Sebrae-SP, Casa da Agricultura e Prefeitura do
município de Jacupiranga.
Participaram do
encontro o vice-prefeito de Jacupiranga Roberto Carlos Garcia, o
presidente da Cooperativa de Desenvolvimento Sustentado em
Aqüicultura do Vale do Ribeira (Coodesaq), Paulo Fernando
Colherinhas Novato, o presidente da Cooperpeixe de Juquiá, Carlos
Gerônimo da Silva, além de técnicos da Casa da Agricultura de
Jacupiranga, Cativar e do Programa SAI. “A missão para a feira e a
conversa com o ministro deram novo ânimo aos produtores”, comentou
Roberto Garcia, que está coordenando um trabalho de articulação para
a reestruturação da cadeia produtiva da piscicultura na região. “O
ministro, que conhece a realidade do setor no Vale do Ribeira, abriu
um canal direto de negociação com o escritório da SEAP em São Paulo,
e deu uma boa notícia para os produtores, sinalizando a vinda de
recursos, através de convênio com órgãos estaduais e organizações
que atuam no setor, para prestação de serviços de assistência
técnica, item fundamental para o desenvolvimento da atividade”,
comentou o vice-prefeito.
Na feira, os
produtores visitaram estandes de indústrias fornecedoras de insumos,
equipamentos e de tecnologia, de indústrias alimentícias na área de
pesca, de revistas e livros especializados, coletaram dados e
informações sobre o mercado, e fizeram contatos visando parcerias
futuras e novas possibilidades de atuação. “No estande da SEAP, por
exemplo, havia um grupo do Paraná que trabalha com o couro da
tilápia, fazendo artesanato e pequenos acessórios para confecção.
Isto mostra que não se deve pensar apenas na perspectiva do peixe e
seu processamento, porque existem também os sub-produtos que podem
ser aproveitados”, disse Roberto Garcia.
Planejamento da
cadeia produtiva – A missão à Feira SEA-FOOD em São Paulo faz parte
de uma série de ações que a Prefeitura de Jacupiranga pretende
articular, em parceria com diversas instituições e os próprios
produtores, visando a reestruturação da cadeia produtiva da
piscicultura que, nos últimos anos, vem enfrentando uma série crise
levando os produtores ao abandono da atividade e à conseqüente queda
na produção. Um levantamento feito pelo presidente da Coodesaq,
Paulo Fernando Colherinhas Novato, aponta que a atual safra de
pescados cultivados no Vale do Ribeira está abaixo de 15% das safras
anteriores. A produção anual na região já foi estimada em 4 mil
toneladas, no período de 1998 e 2002, correspondendo a 28% da
produção do estado de São Paulo. As principais espécies cultivadas
são pacu, tambacu, tilápia, carpa comum, carpa cabeça grande, carpa
capim, catfish, matrinxã, curimbatá e piauçu. Segundo Colherinhas,
menos de 10% da produção é comercializada nas grandes redes de
supermercados, CEAGESP ou no mercado regional, sendo que 90% dos
produtos são destinados à comercialização em pesqueiros da Grande
São Paulo, na forma de peixe vivo. Este mercado, porém, já se
encontra saturado e a inadimplência do setor junto aos piscicultores
tem provocado grandes prejuízos, segundo o estudo do presidente da
Coodesaq.
Desde 1999, o
município de Jacupiranga tem, em seu parque industrial, implantada
uma unidade de produção de alevinos, com tanques e laboratório e uma
unidade de processamento de pescado, projetada para abater e
processar até 4 toneladas de peixes por dia. Este complexo faz parte
do Projeto Piloto de Desenvolvimento Sustentado em Aqüicultura (PPDSA/PED),
financiado pelo BIRD, através do Ministério do Meio Ambiente e da
Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Foram
implantadas também 24 pisciculturas em cinco municípios conveniados:
Jacupiranga, Registro, Pariquera-Açu, Juquiá e Eldorado. Somente em
2003, porém, a indústria foi liberada para funcionamento.
Diante da crise da
atividade na região, da desmotivação dos produtores e do conseqüente
enfraquecimento de suas organizações, além da necessidade de
discutir o que deverá ser feito com o empreendimento já implantado,
a Prefeitura de Jacupiranga tomou a iniciativa de fazer uma
articulação institucional buscando alternativas e soluções para o
problema. “Não queremos simplesmente ativar a fábrica de filetagem
de peixe. Queremos pensar em todos os elos da atividade, dando
suporte aos pequenos produtores, fortalecendo a sua organização e
viabilizando os canais de distribuição e mercado para a produção”,
comentou o vice-prefeito.
O vice-prefeito procurou os técnicos da Cativar e o Sebrae-SP para
discutir a situação com os produtores. Em duas reuniões já
realizadas, foram definidos três focos de atuação: a mobilização dos
produtores e o fortalecimento da cooperativa; a elaboração de um
plano de negócios para a atividade; e a assistência técnica para os
produtores.
No dia 06 de junho,
um consultor do Sebrae-SP esteve em Jacupiranga para coordenar uma
reunião onde foi iniciado o Plano de Negócios da cadeia produtiva.
Além disso, também deverá ser implantado no município o Programa
“Juntos Somos Fortes”, que visa o fortalecimento do associativismo.
Os institutos de pesquisa e outros órgãos que atuam na região também
estão sendo chamados pela administração de Jacupiranga para ajudar a
planejar a atividade de forma sustentável.
Orgânicos discutem
comercialização da produção
A importância da
pesquisa na agricultura orgânica, o papel da consultoria técnica no
desenvolvimento da atividade, as diferenças do custo de produção nos
cultivos orgânico e convencional e as formas de comercialização da
produção orgânica foram os principais temas debatidos durante o III
Encontro Regional de Produtores Orgânicos de Sorocaba, realizado no
dia 18 de maio, no Escritório de Desenvolvimento Rural/CATI.
Participaram do evento mais de 150 produtores e técnicos de diversos
municípios da região de Sorocaba. O Vale do Ribeira também marcou
presença com produtores dos municípios de Registro, Jacupiranga,
Juquiá, Miracatu e Eldorado, integrantes da Associação dos
Produtores Orgânicos (AOVALE) e técnicos das Casas da Agricultura e
do Programa SAI (parceria Sebrae-SP/CATI/Cativar), que organizaram a
missão promovida pelo Sebrae-SP, com apoio da AOVALE.
“A agricultura
orgânica é muito mais do que uma atividade econômica visando a
simples conquista de novos mercados. É uma atividade social que
abriga e desenvolve diversos projetos com objetivos mais
abrangentes, visando a melhoria da qualidade de vida e a manutenção
das famílias no meio rural”, destacou a pesquisadora Lucimar
Santiago de Abreu, da Embrapa de Jaguariúna, ao apresentar dados de
uma pesquisa desenvolvida com grupos de 72 produtores orgânicos do
município de Ibiúna. Para a pesquisadora, cujo trabalho enfocou a
organização social e a relação dos produtores com o mercado, a forma
direta de comercialização -aquela em que o produtor se relaciona
diretamente com o consumidor, como acontece nas feiras e na montagem
de cestas orgânicas - foi a que demonstrou dar mais satisfação tanto
para os produtores como para os consumidores pesquisados.
“Os pequenos mercados e os mercados locais devem ser mais
valorizados na comercialização dos produtos orgânicos”, reiterou o
engenheiro agrônomo da empresa de consultoria Ensistec, Luiz Geraldo
de Carvalho Santos, que fez uma comparação conceitual entre a
produção orgânica de alimentos e a convencional, destacando as
potencialidades da agricultura orgânica. “Nesta cadeia produtiva
existe mais diálogo entre o varejista, o distribuidor e o produtor”.
No evento foram debatidos também os benefícios e os problemas da
comercialização da produção para as grandes redes de supermercados e
foi apresentada ainda a experiência da Federação da Agricultura
Orgânica do Sudoeste de São Paulo (Faosp) e da Cooperativa de
Produtos Orgânicos (Cooperorgânica), que estão realizando, há cerca
de seis meses, a venda dos produtos orgânicos de oito associações da
região em uma loja-box na Ceagesp em SP. Apesar das dificuldades, o
grupo de 45 produtores está animado. “É um desafio e tanto, mas com
organização, que é o nosso maior patrimônio, vamos vencendo os
obstáculos”, comentou o produtor rural e integrante da Faosp, José
Antônio Campolim.
Os produtores do
Vale do Ribeira fizeram contatos visando a possibilidade de atuação
conjunta com a Cooperorgânica e participaram atentamente dos
debates, pois os desafios que enfrentam são semelhantes aos
discutidos no Encontro, especialmente na área da comercialização. A
AOVALE pretende inaugurar brevemente em Registro uma banca exclusiva
com produtos orgânicos, em uma praça no centro da cidade. O objetivo
é criar mais um espaço de comercialização dos produtos, recentemente
certificados através de programa promovido pelo Sebrae-SP, em
parceria com a Certificadora OIA-Brasil.
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